
O melhor grupo de Joinville (SC). Mais info, último parágrafo.
Em todos os meus anos de jogatina, em absolutamente todos eles, houve algum tipo de cisão entre pessoas que teimam em se afastar e se aproximar. É impossível negar: o RPG é feito por pessoas, e pessoas são muito diferentes, tem suas idiossincrasias que devem ser entendidas e relevadas. Cada um de nós tem vários amigos, pertence a vários círculos de amizades distintos. Se você está lendo esse post, um desses círculos deve ser o “grupo de rpgistas” ou a “galera nerd”. Mas mesmo um grupo pequeno formado por pessoas com algumas coisas em comum ainda está destinado a enfrentar as terríveis provações da vida coletiva.
Eu sou bastante exigente no que diz respeito ao grupo jogador. Pode me chamar de exagerado, mas um grupo de RPG que pretende ser bem-sucedido na tarefa de ter uma campanha épica precisa ser uma família. Funciona mais ou menos como um namoro, mas precisa de ainda mais disposição e compromisso. É humanamente impossível marcar uma sessão com alguns amigos aleatórios, que não tem nada em comum, e esperar um entrosamento cinematográfico. Não é assim que funciona. É preciso tempo, muito tempo, além de dedicação e sinceridade.
O mestre tem o papel de unir os personagens na história. Mas muito mais que isso, ele tem o papel de unir as pessoas. Uma campanha deve atravessar meses, anos. Pra ser épica de verdade, uma campanha precisa vencer as estações, precisa vencer as namoradas, precisa vencer a indisposição, o sono, a doença, a distância. Mais que isso, ela precisa vencer os próprios personagens. Precisa transformar o sistema em calos, endurecidas bolotas nas massas cinzentas dos players. Precisa arrendondar os dados. A campanha é épica quando um player começa ela namorando e termina casado. Quando um player começa estudando e termina formado. Quando ele a começa trabalhando e termina aposentado. Isso é ser épico.
Na foto, o grupo que conseguiu exaurir as possibilidades do D&D 3.5, atualizando o sistema e adaptando personagens novos e antigos ao novo cenário de Forgotten. Da esquerda pra direita: Miau, Ivo, Rafa (narrador), Aguirre, Soubhia, e eu estou atrás da câmera fazendo a foto. Esse foi um grupo que atravessou o tempo e conseguiu deixar sua história impressa no hall das campanhas épicas. Foi nessa noite (ainda em 3.5) que Aguirre rolou um 20 (e depois confirmou), arrancando a cabeça do general do exército inimigo no primeiro golpe dado em toda a guerra. Uma espada vorpal e muita estima pelo dado nunca foram tão cruciais em uma vitória como naquela noite. Mas falarei desse grande feito (e muitos outros) em outros posts.
Leia mais de as 15 Leis da Aventura Épica em:
06. Itens 07. Magia 08. Notas 09. Equipamento 10. Silêncio
11. Descanso 12. Coletivo 13. Interpretação 14. História 15. ???