Shhh!
Se há um assunto no mundo rpgístico que pode gerar discussão ad infinitum é a velha briga entre ON e OFF. Por regra geral, durante uma sessão deve-se evitar manter conversas paralelas, não só para manter o clima do jogo mas para mostrar um mínimo de respeito com quem está ativo na cena. Entretanto, há mestres que gostam de manter um clima mais discontraído nas sessões e deixam a conversa e as brincadeiras mais soltas. O OFF ainda pode ser uma ferramenta para o narrador deixar seus players extravazarem em momentos específicos da sessão, não comprometendo a história, principalmente em contos onde a trama é mais densa e séria (pense em Vampiro, Cyberpunk, Ravenloft). De qualquer forma, a eterna rixa entre entusiastas e abolidores do OFF é uma questão delicada.
Eu narro apenas Storytelling, especificamente para mortais, e sofro muito para manter o clima de horror nas minhas histórias. É difícil evitar que piadas e situações estranhas virem piada para os jogadores – eu mesmo sou responsável por muita brincadeira. Então criei um personagem que criava situações mais esdrúxulas em momentos afastados do clímax da sessão. Isso fazia todo mundo rir à beça naquele momento, enquanto nas horas mais sérias eu cobrava atenção e todos se calavam. Para mestres de horror, como Cthulhu, Ravenloft, WoD, Deadlands, isso pode ser de grande ajuda. É claro que se você estiver narrando Toon ou Kobolds Comeram meu Bebê! (All hail King Torg!) a situação é diferente e o OFF chega a ser incentivado.
Enfim, não há uma regra definida para o silêncio durante uma sessão. Há momentos de atenção e há momentos de descontração. O importante é o narrador e os jogadores terem consciência de distinguir as situações para criar uma história que seja ao mesmo tempo envolvente, interessante e agradável.
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